VERBOS DO CREPÚSCULO

Texto por: Ir. Terezinha dos Santos | FMA

Sol 1 - VERBOS DO CREPÚSCULO

Anoitece.. o mundo no afã da luta pelo pão e pelo sonho de mil grandezas, não viu chegar ondas de egoísmo, violências, abusos, ganância…

Já é tarde! Fica conosco, Senhor! Ensina-nos a Te encontrar nas tuas palavras e nos sinais de alerta pelo mundo: natureza desfigurada, humanidade desencontrada, valores que se desfazem…

Ao declinar da tarde… Jesus antecipa o adeus e com mimos de afeto, janta com seus amigos, abre seu coração, presenteia-os com gestos de delicadeza, confidencia-lhes seus profundos sentimentos: “Vocês são meus amigos!”

“…chegando a sua hora…” Jesus, que amava os seus, amou-os ao extremo! Era a hora do amor supremo e lâmpadas antigas iluminavam rostos e cenários noturnos. O silêncio ouvia verbos de ternura: levantou-se, cingiu-se, lavou, enxugou, repartiu, deu graças…orou, implorou!

Era noite!  Noite de trevas, de ingratidão, de infidelidade, de traição… noite nos corações sem luz, sem ternura…

Hoje, nesta mesma noite… a avareza falou mais alto que a ternura…hoje nesta mesma noite, a covardia fez estremecer a amizade divina… hoje, nesta mesma noite, a ambição fez esquecer a fraternidade!

Hoje, nesta mesma noite… a insensatez desprezou a verdade, o orgulho desdenhou a sabedoria, a criatura matou seu Criador!

Era quase à hora sexta… o mundo estarrecido viu que o Amor era mais forte que o ódio, percebeu que a dor superou preconceitos, sentiu que até a última gota daquele sangue clamava misericórdia e perdão para a humanidade!

Era quase à hora sexta … e houve trevas na terra e no silêncio um grito ecoou:

“Pai, perdoa-lhes, não sabem o que fazem!”