Ensino remoto: como perder o medo e fazer do vídeo a melhor ferramenta para seus alunos

NOVA ESCOLA traz as melhores práticas para construir aulas em formato de vídeos, a partir da experiência de educadores no país

Texto por: Victor Santos | NOVA ESCOLA

professora aula sincrona getty images - Ensino remoto: como perder o medo e fazer do vídeo a melhor ferramenta para seus alunos

Desde que as escolas brasileiras tiveram que fechar por conta da pandemia do novo coronavírus, os vídeos se tornaram um dos principais recursos para “chegar” aos alunos em meio ao isolamento social. Por meio deles, estudantes conseguem entrar em contato com seus professores de referência, construindo a dinâmica que mais se aproxima à da sala de aula.

Logo de cara, isso se mostrou um desafio gigantesco: foi preciso se apropriar de tecnologias até então utilizadas basicamente para comunicação pessoal; aprender a usar inúmeros aplicativos e recursos; lecionar olhando para uma câmera, e ainda entender como editar e enviar esses conteúdos. NOVA ESCOLA procurou os próprios educadores em busca das boas práticas para se fazer o melhor uso possível dos recursos de vídeos e videoconferências na Educação.

 

Planejamento: organize as ideias antes de partir para os vídeos

O planejamento para uma aula em vídeo no ambiente digital requer muitos cuidados. O primeiro e mais importante deles é pensar para quem será dada essa aula. “Existe a necessidade de compreender para qual público você está destinando aquele conteúdo”, afirma o professor de Geografia Rodrigo Baglini, que atua com Educação Digital para os anos iniciais. Rodrigo tem bastante familiaridade com vídeos: desde 2015, ele possui um canal no YouTube, voltado especialmente para pré-vestibulandos com enfoque nas provas das universidades estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp). Ele enfatiza que é preciso pensar muito bem no roteiro dessas videoaulas, pois é no roteiro que o professor vai estabelecer qual objetivo pretende alcançar com aquela aula. “Normalmente, traço o roteiro pensando nos resultados que eu quero”, diz o professor. “Sempre brinco que é um trabalho de trás para a frente”.

Além de lecionar no Ensino de Jovens e Adultos (EJA) na rede municipal de São Paulo (SP), o professor tem uma atuação no Centro de Mídias estadual de SP, plataforma que fornece aulas ao vivo para os 3,5 milhões de estudantes da rede, e na qual ele entra ao vivo todas as quintas-feiras ensinando as disciplinas de História e Geografia para os anos iniciais. Rodrigo enfatiza que “para cada faixa etária há uma dinâmica totalmente diferente nesse trabalho com vídeos”. “Cada professor sabe da sua dinâmica, e não existe a receita perfeita”, aponta.

Organizar o roteiro é colocar no papel as ideias mais importantes que se quer passar, pensando no que colocar em vídeo. O conceito principal pode ser a aula, contando com o suporte de textos e atividades que podem ser enviados por aplicativo. Dessa forma, o professor aproveita melhor o recurso e quebra o formato tradicional da aula, que se torna mais cansativa e, geralmente, tem resultados inferiores no esquema remoto.

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Escolha: aula síncrona X aula assíncrona

Uma das decisões iniciais que gestores escolares e professores precisam tomar no ensino remoto diz respeito ao formato das aulas: se serão as chamadas aulas síncronas, feitas ao vivo com professores e estudantes on-line ao mesmo tempo; ou as aulas assíncronas, nas quais o aluno realiza suas atividades de acordo com a sua disponibilidade de tempo e de acesso à tecnologia, e que tem nos vídeos gravados pelos professores um de seus principais pilares.

Infelizmente, um dos determinantes de que tipo de aula será escolhida diz muito respeito ao acesso à banda larga. Aulas síncronas requerem que professor e alunos tenham uma conexão de médio padrão para suportar a aula ao vivo, enquanto nas aulas assíncronas, o professor pode preparar o material com antecedência e enviar por aplicativos ou outros meios de comunicação com alunos e famílias.

Some-se a isso a idade dos estudantes para determinar o que pode funcionar melhor e a didática empregada nesses momentos. A partir de suas próprias experiências com aulas síncronas e assíncronas, Rodrigo Baglini destaca alguns pontos. No caso das aulas ao vivo, o educador atua com crianças que estão no ciclo da Alfabetização, um dos tópicos mais desafiadores para o ensino remoto.

“Eu fico ao vivo por vinte e cinco minutos, e aí, muitos me perguntam: ‘como você segura a molecada de 6-7 anos, por vinte e cinco minutos só com você?’. Simples: a criança precisa de um ‘reset’, de um recomeço a todo momento, quando está numa tela. Então, a cada 40 ou 50 segundos, eu faço uma mudança de dinâmica”, recomenda o educador. “Por exemplo, eu começo falando ‘galera, vocês sabem a história da Chapeuzinho Vermelho?’. E aí de repente eu mudo ‘mas pensando bem, a Chapeuzinho Vermelho não era assim tão boazinha’. E depois ‘Não, ela era sim…’ e então digo ‘Não, ela não era não’, e assim sucessivamente, até finalizar a aula”. Nessa perspectiva, conforme se avança nos anos escolares, cabem perguntas mais direcionadas guiando a sua videoaula.

Já no caso das aulas gravadas, o professor menciona que, trabalhando com Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio, sempre pensa suas aulas remotas para 6º e 7º ano (alunos na faixa etária dos 11-12 anos) em vídeos de 6 ou 7 minutos, e que a cada ano que passa, aumenta um minuto. “É claro que isso não é um cálculo exato nem tão perfeito, mas é uma sugestão de início para professores que querem começar a encarar esse mundo”, explica.

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